DESBRIDAMENTO CORTANTE E DESBRIDAMENTO AUTOLÍTICO NA REMOÇÃO DE TECIDO NECROSADO EM FERIDAS CRÓNICAS, INCLUINDO ÚLCERAS POR PRESSÃO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

João Gonçalves Ferreira, Bruna Raquel Fonseca, Rogério Ferrinho Ferreira, Sofia Alexandra Sá, Marta Sofia Catarino

Resumo


Objetivo: Sintetizar a evidência científica disponível sobre a eficácia do desbridamento cortante, comparativamente ao desbridamento autolítico, na remoção de tecido necrosado em pessoas com feridas crónicas, incluindo úlceras por pressão, no âmbito da preparação do leito da ferida. Material e métodos: A pergunta de investigação foi construída com base no modelo PICO: “Qual a evidência disponível sobre a eficácia do desbridamento cortante, comparativamente ao desbridamento autolítico, na remoção de tecido necrosado em pessoas com feridas crónicas, incluindo úlceras por pressão?”. Procedeu-se à pesquisa de artigos científicos publicados entre 2020 e 2026 nas bases de dados CINAHL Ultimate e MEDLINE Ultimate, via EBSCOhost, e MEDLINE, via PubMed. O processo de seleção seguiu as recomendações PRISMA 2020. A avaliação dos níveis de evidência dos artigos incluídos seguiu as diretrizes do Joanna Briggs Institute. Resultados: Foram incluídos seis estudos. A evidência analisada descreve a aplicação do desbridamento cortante e do desbridamento autolítico em diferentes contextos clínicos, tempos de resposta e características das feridas. Apenas um dos estudos compara diretamente as duas técnicas e as populações incluídas não se restringem a pessoas com úlceras por pressão, abrangendo também pessoas com úlceras do pé diabético e com feridas crónicas de outras etiologias. Conclusão: A evidência disponível sugere que o desbridamento cortante permite uma remoção mais rápida do tecido necrosado, enquanto o desbridamento autolítico se associa a menor dor e a maior preservação do tecido viável. O reduzido número de estudos comparativos diretos não permite estabelecer a superioridade de um método sobre o outro. Ambos se apresentam como complementares e não mutuamente exclusivos, podendo ser utilizados de forma combinada ou sequencial, no quadro de uma decisão clínica individualizada e de uma avaliação prévia de segurança. Palavras-chave: Desbridamento; Autólise; Cicatrização; Enfermagem; Úlcera por Pressão


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DOI: http://dx.doi.org/10.60468/r.riase.2026.12(02).821.56-66

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